Lyse Kitzinger e Frank Bernardo falam sobre arbitragem
Quanto vale esta manobra?

No mundo dos campeonatos o atleta fica envolvido com treinos, patrocinadores, baterias, preocupação com a premiação, em fazer uma final e é claro, ser campeão. Nos bastidores deste mundo está o árbitro, avaliando por horas e horas a performance dos atletas na água.

 

O site Meninas do Mar conversou com a árbitra carioca Lyse Kitzinger, uma das poucas mulheres nesta área no Brasil, e com o árbitro capixaba Frank Bernardo. Neste bate papo eles contam um pouco como o Bodyboard e a arbitragem entrou em suas vidas, e dão dicas interessantes para os competidores.

 

Como o Bodyboard entrou em suas vidas?

 

FRANK: Eu morava próximo aos picos do Secret, Barra Sol e Pescador e adorava pegar ondas de Bodysurf.  às vezes arriscava também de “morei”... Rsrsrs. Na década de 80 as pranchas Elton, lembram? Fazia um enorme sucesso nas praias capixabas. No final dos anos 80 e início dos anos 90 eu andava de skate, quase como profissão. Então machuquei gravemente a minha perna. Estava já com 16 anos e queria praticar um outro esporte que me desse prazer assim como o Skate. Eu estudava com um dos melhores bodyboarders da época, Iendel Nascimento, e ele sempre me falava das competições e etc... E como eu tinha um par de pés-de-pato, devido há sempre estar surfando de Bodydurf, descolei uma pranchinha emprestada, tinha um shape tipo um picolé e, no outro dia já estava na água, isso no ano de 1991. E por sinal, o Secret estava perfeito. Daí pra frente não parei mais.

 

LYSE:  Comecei a pegar onda com 8 anos de idade,com uma prancha de isopor, sempre na prainha de Itacoatiara. O primeiro campeonato brasileiro de Bodyboard aconteceu aqui na minha cidade em Piratininga,em 1984 e nesse momento o esporte entrou na minha vida.

 

Conte como surgiu o interesse pela arbitragem.

 

 FRANK : Eu participei de competições de 91 à 93, naquela época era muito mais difícil arrumar um patrocinador, então desisti, pois tinha que estudar para o vestibular. Daí pra frente me divertia muito com o freesurf, sempre caindo com a galera que competia e também acompanhando as competições. Um dia pensei: Quero fazer alguma coisa por esporte que adoro. Meu vizinho, o Sidney Cariacica era árbitro na época, fui perguntá-lo como eu poderia estagiar em uma etapa. Então, ele me apresentou ao Eduardo Coutinho o Head Judge, que me deu a oportunidade. Em meu primeiro estágio (1996) já estava julgando a final PRO/AM do respectivo campeonato. Aí percebi e os juízes da época também, que eu tinha afinidade com a coisa e fui me aperfeiçoando, estudando livro de regras de todas as federações para saber o que rolava em outros estados e, estou até hoje nesta carreira ingrata.....rsrsrs.

 

LYSE: Meu primeiro emprego foi trabalhando como juiza-secretária na ABBN (Associação de BB de Niterói)tinha apenas 16 anos e trabalhava no somatório das notas.Gostei muito e com 18/19 anos já estava fazendo curso

para árbitra......uma prova gigantesca...e 1 ano estagiando em todas as etapas da ABBERJ!!!!  Hoje sou advogada,professora de sociologia,tenho a uma Oficina/Escolinha de Bodyboarding em Niterói, e também sou arbitra do kpaloa Musas do  Bodyboard e da ABBN!

 

Existem atletas que pensam que certas manobras valem mais pontos que outra, por exemplo: um El Rollo ou um ARS vale mais que um 360°. Este pensamento tem fundamento?

 

 FRANK:  Essa confusão de critérios é muita corriqueira nas competições por parte dos atletas. Ocorre que, muitas vezes manobras como El Rollo, ARS, Back Flip e o Aéreo são realizadas na parte mais crítica da onda. Já o 360º é realizado em sua maioria, no drope ou na parte mais funcional da onda (parede), ou seja, sem muito risco. Mas um 360º executado na parte crítica, com velocidade, pressão, ataque e projeção aérea são valorizados de igual forma com os ARS dentre outras.

 

LYSE: No julgamento em um campeonato de Bodyboard,nenhuma manobra vale mais ponto que outra,vai depender de uma série de critérios que serão observados na bateria. O atleta precisar descer numa onda, com estilo,fluidez,variação de manobras,boa cavada,ataque ao lip e velocidade

 

O trabalho de vocês têm sido respeitado. Fale um pouco sobre o trabalho de árbitro, planos, etc.

 

FRANK: Para ser um bom árbitro, não há fórmulas mágicas, e sim, muito trabalho. Ingerir livro de regras no café da manhã, almoço e jantar. Digo sempre aos meus juízes: O bom árbitro não é apenas aquele que entende as regras e as aplica, é também, aquele que consegue mudá-las. Estar sempre atentos às mudanças do esporte, interagindo, se pondo sempre à disposição. Angariar experiências em eventos nacionais e internacionais, mesmo que às vezes tenhamos que ir do próprio bolso, pois assim estaremos abrindo novas portas. E o mais importante, agarrar a primeira oportunidade que surgir e dar conta do recado.

 

LYSE: Tenho planos de trabalhar sempre em favor do BodyBoarding para ver esse esporte crescer,continuar com minha Escolinha que hoje tem 30 atletas,sendo que 8 já competindo e ganhando alguns campeonatos,ainda que sem nenhum apoio ou patrocínio sequer. E ainda continuar julgando campeonatos...e ter a possibilidade de trabalhar em campeonatos brasileiros ou em outros Estados.

 

Para finalizar, deixem um recado!

 

FRANK : Bem, primeiramente gostaria de agradecer ao site Meninas do Mar pela oportunidade que vocês me proporcionaram em poder expor um pouquinho da realidade da arbitragem, num contexto geral.E, aos atletas que um dia desejam seguir a carreira de árbitro, posso dizer que serão sempre bem-vindos, pois com a experiência que adquiriram competindo somada a experiência de tempo de surf, só tem a contribuir com o Bodyboard.

 

LYSE: Meu sonho é que a minha oficina/escolinha de BodyBoarding cresça ainda mais....e seja reconhecida , apoiada por empresas, possibilitando muitas vitórias para alguns atletas, uma  imensa vontade de fazer sempre o melhor e de continuar subindo muitos pódios.....me orgulho desses alunos que só me trazem alegrias. Valeu Meninas do Mar.....e um aloha especial pra todos do site. 

 
   
 
 

Frank Bernardo ao lado do mestre da arbitragem Chico Garritano, head judge da ISA e da CBRASB - Foto: Arquivo Pessoal
   
 


 
 
 
 
 
 
 
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