Brasileira representa o surf feminino no TAHITI
Silvia Nabuco mostra atitude em TEAHUPOO

Por: Fernando Iesca (Waves)

Fotos: Gustavo Camarão (Portal QUE!)                                          

 

Ex-triatleta e praticante de diversas outras modalidades esportivas, a paulistana SILVIA NABUCO tem o surf na veia. Vinda de família de esportistas, ela trocou as competições "Ironman" pelo surf e hoje busca aprimorar-se nas ondas mais pesadas do mundo. Nos últimos meses ela esteve no Tahiti pela primeira vez e agora está de volta cheia de histórias para contar. Confira abaixo parte de seu relato sobre a barca recheada de tubos nas potentes ondas de Teahupoo:

 

 Ao olhar as fotos e escrever este texto tive um flash back de tudo que passei e pensei: eu fui, aprendi, sobrevivi e estou aqui para contar a história. (risos) Estava no Hawaii ouvi minhas amigas falarem em ir para o Tahiti. Sempre soou como um sonho. Como ventava maral e fazia frio já havia um mês no Hawaii, a idéia de não voltar ao Brasil e ir ao Tahiti tomou forma. A aventura deveria durar um mês e acabou virando três. Logo no primeiro dia, o Marama pegou o barco e rumou para Vairao. Então perguntamos: estamos indo para o lado oposto de Teahupoo? Minha adrenalina para conhecer Teahupoo estava a mil e eu não queria saber de mais nada. Minha amiga falou: ela quer ir para Teahupoo! Marama olhou com uma cara cabreira e perguntou: tem certeza?

 

Chegando lá o mar apresentava séries de até 2 metros e apenas quatro locais na água. Cheguei e fiquei no rabo observando durante meia hora e me perguntando como iria dropar em um cenário daqueles? Uma onda em forma de cratera de vulcão, onde o fim dela fica maior que o começo e a bancada está ali esperando você errar!

 

Como sei que minha vontade é maior que o medo, fui indo para o pico. Falei com os locais e eles como a maioria sabe, são muito solidários e amistosos. Se a onda vem para você ninguém se afoba para pegar. A única coisa que lembro foi o local Tuhiti dizendo: reme forte e drope, pois está vindo uma série gigante atrás! Então eu fui. Ao contrário da anterior, parecia que tudo estava em câmera lenta. Passei a seção e quando cheguei na temida parte de Oeste, vi o teto se formar em minha frente e eu entrando abaixo dele, abaixada por instinto, de que este teto desabaria em minha cabeça (risos).

 

Finalmente consegui ficar na parede com o tubo rolando perfeito! Ouvi todos gritarem nos barcos. Foi muito legal! Uma sensação indescritível estar dentro de uma onda dessas. Obirgada a Deus pela oportunidade. Nesse mesmo mar estava a havaiana Keala Kennely, que veio se apresentar logo no começo da session. Foi irado ela estar ali. Especialmente por ser um ícone do surf nos tubos de Teahupoo. Ela também quebrou sua prancha, aliás esse dia estava difícil de não quebrar. Conversei com ela e falei que era minha primeira vez ali. Ela ficou surpresa de eu estar naquele mar e falou: Já está entubando! Nossa! Nos dias seguintes nos divertimos surfando juntas.

 

 Foi um processo gradual e caiu minha ficha. Eu tenho vontade de trocar esses chips logo (risos). Agora no final, quando me deram as fotos e filmes, fiquei horas analisando minha posição e vi que eu deveria estar um pouco mais perto da parede, para perder o receio do teto cair em mim. Aliás, agradeço ao Camarão, Tojal, Akiwas e Aline pelo material registrado. E foi isso que aconteceu. Vendo as fotos, mais um chip foi trocado (risos). No último swell consegui pegar dois tubos com a mão na parede, em pé, relaxada (risos). Pena os fotógrafos já tinham ido embora uma semana antes. Mas está fotografado em minha mente.

 
   
 
 

Silvia Nabuco - Teahupoo - Foto: Gustavo Camarão
   
 


 
 
 
 
 
 
 
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